sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Elucubrações olfativas e o perfume da alma.

É ele!
Continuo sonhando acordada com o cheiro do shampoo de urtiga no meu cabelo. Atentem que não é o perfume do shampoo na embalagem, nem dele depois de lavado e seco nas minhas madeixas... é ele ensaboado, molhado, debaixo do chuveiro. Porque, vejam só, é beeeeeeeeeeeeem diferente! 
Algum tempo atrás a Ronny (ciao, bella) escreveu no seu blog que tinha também essas crises olfativas, de sentir cheiro demais, num nível que beira ao estranho extremo. Também sofro dessa demência olfativa, mas a minha esquisitice é diferente, mais chegada a perfumes, pele e a combinação deles. 
Tem hora (como agora) que meu nariz pira e fica totalmente manicado com um cheiro específico. Isso realmente me deixa doida. Sabe o que é você sentir um perfume no seu cérebro e não poder sentir ele ao vivo e a cores? Complicado explicar.
Na gravidez da baby two eu quase fui a loucura por conta do desejo de dois cheiros: flor de jambo e jabuticaba. Não achei árvore de jambo no Rio de Janeiro, mas em compensação comi jabuticaba todo santo dia. Não que o cheiro de um (aliado ao gosto, no caso) aliviasse a falta do outro... nada disso. Meses depois do parto, por acaso entrei numa rua e senti o cheiro do jambo. Quase chorei de felicidade, sentindo a brisa perfumada. Não, não cheguei ao ponto de bater na casa de desconhecidos e pedir pra cheirar a fruta no pé, mas... cogitei. Desespero de causa olfativa. Passo por esses perrengues mas não dou vexame. 
Antes que alguém tenha uma ideia errada, aviso logo: não estou grávida. (Não sei de onde surgiu essa necessidade desesperadora pelo perfume do shampoo, só sei que agora sinto ele sem parar. Zero por cento de chance desse suplício olfativo passar tão cedo, me conheço.) Faz um mês que tirei fora as trompas. Não amarrei, não cortei... tirei mesmo. Aliás minha superpower megachic doctora vai ganhar de presente um lindo perfume. Sei que é complicado isso de dar perfume de presente, mas sou craque no ramo. Só dou pra quem gosto muito. E gostar pra mim envolve... acima de tudo gostar do cheiro da pessoa, da pele, da alma. Daí eu fico fazendo combinações químicas mentais tentando achar o perfume correto para aquela pessoa. Alquimia pura. Em geral acerto. Tem amigas que depois de ganharem um perfume de mim, vem me dizer que aquele acabou virando o seu preferido, que não vivem mais sem ele. Modéstia a parte, costumo acertar quase sempre. O quase fica na conta da modéstia. Curiosa pra saber se ela (minha doctora) vai gostar muito ou se vai amar. 
Meu paraíso particular, essência do céu.
Enfim... sem perfume não sei o que faço. Sou dependente química e emocional do L'eu d' Issey. Não sei como ou onde fica o céu, mas tenho certeza absoluta que ele tem cheiro de L'eu d'Issey. Paz, amor e L'eu d'Issey, só preciso disso pra ser feliz. O resto é detalhe. Sabe cheiro de plenitude? Por aí... É minha poção mágica, resolve tudo. Ou quase tudo, já que ainda não cura insônia. Mas me acalma, inspira e faz sorrir. Uma amiga me disse certa feita que fico com cara de quem teve orgasmos múltiplos toda vez que boto esse perfume, de tão satisfeita que fico. Não posso discordar, realmente... a sensação passa perto, é o meu paraíso engarrafado. Em geral não uso ele pra seduzir, mesmo porque ele não é um perfume sexy, nada disso. Mas me sinto tão tão tão bem com ele que acabo me achando a todapoderosafrodite quando o uso. Raramente o coloco para dormir, só em casos extremos... como num dia estressante ou quando do nada surge a doña insônia (como agora). Aromaterapia de luxo, eu mereço. 
Ultimamente ando enamorada do Daisy do Marc Jacobs, virou meu vice-salvador da pátria. Faz tempo que um aroma novo não me deixa tão contente como ele. Maridex também amou, e o melhor, não teve alergia. De vez em quando ele fica com alergia dos meus cremes e perfumes. Um saco isso! Além de agradar o meu nariz mimado preciso cuidar pra que o amoremio não tenha uma crise de espirros com o perfume (e cia) que uso. Faz parte do show esse desafio diário. Outro dia ele veio reclamar que meu creme do corpo estava dando alergia nele. Aff. Tinha quase um ano que estava usando, maravilhoso por sinal: SPA Ameixa do Botícário... os dois satisfeitos, ele adorando... e de repente surge essa novidade, nem sei se realmente era alergia ou se ele só tinha enjoado daquele cheiro. Resultado, arrumei outro mais suave pra usar de noite e passei o antigo pra durante o dia. Acabou faz um mês, acabei trocando por outro. Também enjoo fácil, gosto de variar os perfumes (inclusive dos cremes). Sei que não vou usar essa linha de novo, pois vai me fazer sentir saudades das minhas meninas lindas de Sta Maria, ganhei o kit completo delas no fim do ano passado. Tem isso também pra inserir na equação: cada cheiro me faz lembrar pessoas, cidades, momentos especiais. Alguns perfumes tenho mas não consigo usar por ativar memórias, fico emotiva, transportada para outro mundo. Esses, os perigosos.... só uso mesmo quando sei que posso me perder em recordações.
Novo amor.
Sentir o cheiro real da pele das outras pessoas, independente do perfume usado, tem algumas vantagens. Hoje já sei que se não gostar do cheiro, provavelmente não vou me dar bem com a pessoa. Também sei quando me aproximar ou não de alguém, só pelo odor que exala. Sabe quando dizem que os animais sentem o cheiro do medo na gente? Deve ser verdade. Consigo sentir algo parecido com isso, numa variante olfativa daqueles que dizem ver as cores da alma. Sinto o perfume da alma... com algumas me afino, me aproximo, sei que vai rolar uma relação bonita de amizade, companheirismo, camaradagem. Com outras sei que nem adianta insistir. O engraçado é que tem dias em que esse perfume pessoal se altera, ora mais forte, ora mais suave, mescla-se com outros odores, uns bons outros ocres. 
Dia desses tive que ir em um jantar, tinha uma pessoa no ambiente, cujo cheiro me desagrada muito. Não é que não goste dela, eu já não gostava do cheiro que ela tinha antes mesmo de descobrir que não simpatizava ou admirava tempos depois, quando o cheiro desagrada já sei que não vem coisa boa pela frente... ou seja, não queria sua companhia por perto nem pagando. Não dá pra ser amiga de alguém que seu nariz não suporta, basicamente é isso. Não é implicância gratuita, é um tipo de sistema de proteção, um radar de essências, que não sei como... funciona e funciona bem! Essa pessoa em questão, em geral mal suporto ficar perto por mais de cinco minutos, em situações normais, naquela noite estava... fedendo num nível insuportável. Não tive coragem nem de chegar perto pra cumprimentar. Fingi que não vi, me perdi entre amigos do outro lado do salão e procurei me manter a uma distância segura do fedor. Sei que não é legal, mas prefiro isso a passar o resto da noite passando mal com aquele cheiro entranhado... chega a me dar ânsia de vômito. O pior que não tem perfume que disfarce esse tipo de cheiro ruim. Só piora a situação, é como passar um desodorante quando se está suado depois de malhar horas sob o sol. O fetum não sai, está ali... agredindo a todos os inocentes que passam perto. Argh!!!
Alguém já sentiu o cheiro da morte? Vou dizer como ele é pra mim: cheiro de nada. Descobri isso no enterro da minha biza M. Tinha 16 anos quando ela morreu e conhecia bem o perfume pessoal dela, o cheiro dos seus cabelos brancos e da sua pele por baixo do perfume do sabonete, dos móveis antigos, do torresmo, do guaraná doce... No dia do velório estava lá, fiquei do lado do caixão buscando aquele perfume, buscando ela... Nada vezes nada. Quando a alma se vai, o perfume dela acompanha. O que fica é carniça, é terra seca, é nada. Um nada disfarçado com mil odores, das velas, das flores, mas ainda assim... nada.
A pele tem o perfume da nossa alma.

Eh... soninho chegando, vou-me devidamente perfumada, dormir com os anjos. 
Perguntinha: Alguma coisa que escrevi fez sentido?



4 comentários:

  1. Tudo que voce escreveu faz sentido! E pelo visto, voce tambem eh "nariz" (lembra desse post?)

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    1. Ih, acho que não li esse não, passa o link!

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  2. Nossa, fiquei arrepiada com o penúltimo parágrafo do seu texto!! Muito bom!!!!! Eu também tenho uma memória olfativa muito forte - não tanto como a sua - mas me lembro de alguns cheiros marcantes. Fiquei curiosíssima para sentir o cheiro do perfume L'eu d' Issey :-).

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    1. Obrigada... Sandra! Já viu que sou suspeita pra falar desse perfume. Esse tipo de percepção é muito pessoal, o que eu acho uma maravilha pode não despertar nenhuma emoção em outro. Mas quando provar ele, me diga o que achou. Bjks.

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